
Dois mil miúdos dos 8 aos 17 anos, sete escalões, nove campos e cinco dias de Julho. A organização precisa das fotografias no próprio dia — para as redes, para os patrocinadores, para os pais que ficaram em casa — e eu passo a semana a atravessar Aveiro de campo em campo. É a terceira edição que fotografo; esta é a trigésima primeira do torneio.
- Cliente
- Aveiro Cup
- Onde
- Aveiro
- O pedido
- Cobertura fotográfica dos cinco dias, com fotografias nas redes no próprio dia
- Entregámos
- 1000 fotografias em cinco dias · redes, patrocinadores e o arquivo do torneio
Chegadas
A relva ainda não viu uma bola e já há duzentas malas no relvado.
O torneio começa nos autocarros.
Equipas que vieram de longe, treinadores a contar cabeças, a acreditação no Glicinias Plaza.
O que fotografo na quarta-feira não é futebol: são as chuteiras novas a sair da caixa, a camisola com o nome nas costas, o miúdo que nunca dormiu fora de casa.
Ao fim da tarde, a abertura: os escalões todos em fila, os padrinhos, o hino. É a única hora da semana em que os dois mil estão no mesmo sítio — e a única fotografia em que cabem todos.




Nove Campos
Duzentos jogos numa semana: há sempre um a começar.
Fase de grupos. Os jogos dos mais novos duram quinze minutos por parte; não há segunda oportunidade. Deito-me na linha lateral com a teleobjectiva e espero — o golo interessa menos do que a cara de quem o marcou dois segundos depois.
Entre um campo e o seguinte há vinte minutos de estrada e a primeira selecção no telemóvel. A organização quer fotografias nas redes antes do fim do jogo a seguir, por isso escolho três, acerto a luz no carro e mando.







Fora das quatro linhas
Cinco dias de férias com um torneio no meio.
Sexta-feira é o dia em que o torneio se vê melhor de fora. As claques improvisadas, os avós com o guarda-sol, os miúdos de uma equipa a ver o jogo dos amigos que fizeram na terça. Aqui deixo a teleobjectiva no saco e aproximo-me com a 35 mm: é a parte da história que não cabe no resultado.
À tarde, o programa fora do futebol — a cidade, a ria, o gelado. As fotografias que os pais mais partilham não têm bola.





Meias-finais
A partir de sábado cada jogo é o último para metade de quem o joga.
Luz dura, trinta graus, a sombra da bancada a cortar o campo ao meio. Fico do lado em que a sombra chega ao relvado e deixo o resto ser branco. Nos penáltis a fotografia é a do guarda-redes antes do remate, não depois.
O sábado acaba com duas equipas em cada escalão e com a sensação, todos os anos igual, de que os miúdos que perderam vão lembrar-se desta semana tanto como os outros.






Finais e pódio
Dois mil miúdos e uma taça de cada vez.
As sete finais seguidas, e depois a entrega de prémios. É a fotografia que a organização mais quer e a mais difícil de fazer bem: trinta pessoas, uma taça, o sol a pôr-se atrás. Faço a de protocolo, e a seguir a outra — a do guarda-redes que chora com a medalha de segundo.
À meia-noite, no computador: os cartões dos cinco dias, a selecção final. As das redes já foram; as dos patrocinadores vão amanhã; o arquivo do torneio, com todos os escalões e todas as equipas, chega em cinco dias.







um torneio inteiro, com as redes a pedir fotografias no próprio dia
cinco dias, nove campos, luz de Julho — e três fotografias enviadas do carro entre cada jogo
1000 fotografias; o arquivo de uma edição inteira
